Todos os marinheiros que desobedeceram às normas da nossa corporação serão devidamente punidos, assim como os que participarem desta revolta. A pena foi aplicada ao marujo Marcelino devido a introdução de garrafas de pinga no navio, atitude que quebra as regras estabecidas anteriormente e é condenada pelos seus superiores, que têm todo o direito de responder a tal desobediência, inclusive com castigos físicos, conforme forem necessários.
Baía de Guanabara, 1 de Dezembro de 1910.
ResponderExcluirCaro oficial,
Concordo que foi errado meu colega marinheiro ter entrado no navio com uma mera garrafa de bebida, mas ser punido com 250 chibatas é abuso de autoridade, uma atitude dessa quebra qualquer parâmetro de humanidade. Punição não deve ser sinônimo de espancamento, cada marinheiro que estava naquele navio era tão humano, cidadão como qualquer outro. Se os oficiais não fossem tão inescrupulosos, e esse sistema degradante não fosse tão injusto a revolta da chibata não teria acontecido, a culpa é totalmente dos oficiais pela forma com que tratavam os marinheiros.
C.A
Caro oficial,
ResponderExcluirTambém concordo que entrar com uma garrafa de pinga no navio é errado, mas as punições que vocês nos dão não são as das mais corretas. Acho que como seres humanos nós temos o direito de nós explicar e de mostra o nosso lado das coisas e vocês não deixam a gente nem abrir a boca, se quer para reclamar das dores das porradas que levamos por qulquer beteirinha feita que os senhores não concordem. Somos tão humanos quanto vocês, e se fossem vocês nos nossos lugares tbm não gostariam de serem dessa forma, como bichos, até porque ninguém aquí é bicho para ser tratado dessa forma e nem bicho merece esse tipo de tratamento. Acho que dentro dessa corporação deveria haver mais respeito com o próximo, com o colega de trabalho, se nao é fácil para vocês se colequem no nossos lugares, também não é para nós, pode ter certeza! Não é na base de chibatadas, agressões que vocês vão resolver os problemas dentro da corporação!
Atenciosamente,
G.S
Os marinheiros do Encouraçado Minas-Gerais informam o motim que será iniciado hoje devido à punição injusta e extrema aplicada ao nosso camarada Marcelino. Qualquer movimentação ofensiva por parte do Governo Brasileiro ou da Marinha será revidada com todo o armamento à nossa disposição.
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ResponderExcluirCaro João da Silva Saraiva,
ResponderExcluirClaro que a atitude de ingressar em um ambiente de trabalho com uma garrafa de pinga é algo antiético e imoral, porém o senhor deveria repensar se realmente vale a pena punir um marinheiro de forma tão brutal por algo que pode ser resolvido com uma boa repreensão. Essas medidas cruéis só nos trarão mais revolta e insatisfação contra as condições de trabalho.
Só quero lembrar-lhe que não estamos mais na época da escravidão e não merecemos mais tanta injustiça!
J.C
É completamente inaceitável que alguém possa sentir pena de um marinheiro incompetente mau caráter e desobediente como Marcelino. Veja bem, o sujeito traz cachaça para o seu local de trabalho e, ainda no mesmo dia, fere com uma navalha o cabo que o delatou. Duas graves infrações em um curto espaço de tempo. Esse sujeito teve o que mereceu: 250 chibatadas disciplinatórias em presença da tripulação. Se erros cometidos por parte dos marinheiros continuarem a acontecer, vamos ter que aumentar as punições.
ResponderExcluirCaro Saraiva,
ResponderExcluirTodos nós assumimos o erro de que entrar no navio com uma garrafa de cachaça é errado, mas será que o senhor não acha que 250 chibatadas é algo desumano? Os colegas reforçaram a idéia de que não estamos mais na época da escravidão, pra que esse tipo de tratamento? Jornal Tribuna do Congresso, se você não sente pena dos marinheiros que sofrem esse tipo de covardia, você não é um ser humano, pois todos somos iguais e merecemos ser tratados do mesmo modo.
Almirante Negro
A todos os caros que relataram acima suas revoltas contra as agressões e principalmente contra as 250 chibatadas aplicadas a Marcelino, eu digo o seguinte: a Marinha Brasileira não está a serviço para aqueles que não a querem com respeito. Isto não é o lar e sim uma instituição. Respeito ao alto comando e ao regimento geral! Que a justiça seja feita contra aqueles que o desrespeitaram, como o citado anteriormente.
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